Nem tudo que não é ciência deve ser considerado fraude e além do mais a ciência é falha, é mutável e nem sempre explica tudo.
As emoções pertencem a dois âmbitos: elas podem estar no domínio físico, e num campo que foge da área de ação da ciência convencional. A ciência não aceita MITOS, no entanto nosso subconsciente se expressa numa linguagem diversa da que em geral é usada. No subconsciente, ou hemisfério cerebral direito se expressa numa linguagem diversa da que em geral é usada. Nosso subconsciente se comunica nessa linguagem simbólica, a linguagem dos MITOS. É o caso dos sonhos, as visões, e as experiências interiores, todas ocorrem numa linguagem de imagens. Mesmo os sons ou palavras que se fazem presentes nessas ocasiões são simbólicos Podemos então concluir que a mente subjetiva nos fala então numa linguagem estranha, desconhecida da ciência, num código secreto que exige decifração específica. - A linguagem dos símbolos, a linguagem dos mitos, que emerge da mente subjetiva numa tentativa de expressar algo para qual ainda não existem palavras nem formulações científicas. Uma verdade que ainda está parcialmente ocultada.
Temos um profundo respeito pelos processos meditativos, deste que estes não estejam ligados a dogmas religiosos e seus grilhões, já que nossa mente subjetiva não aceita grilhões ou limites. Compareci a uma palestra sobre a prática meditativa de uma das facções do sistema sanquia (ioga), onde a palestrante neófita foi um tanto obscura quanto aos objetivos maiores dos exercícios fisiológicos e psíquicos a que leva tal prática. Posso afirmar que os objetivos a que quis se referir a palestrante é atingir o mocsa, estado de perfeição a que se refere a literatura Veda. Até aí, tudo bem, tudo bonito, não sou contra nem a favor, mas alcançar a perfeição num total estado de passividade física e psíquica? Se eu fosse adepto a tal prática, seria de imediato chamado de alienado, lunático ou egocêntrico.
As técnicas meditativas passaram por muitas evoluções e a obtenção deste nível meditativo igualmente foi utilizado para os mais variados fins, sejam eles religiosos ou não. Esta redução da ciclagem cerebral, mensurável pelo eletroencefalógrafo provoca um estado alterado da consciência devido aos prévios exercícios de superoxigenação cerebral, total descontração física e emocional. Com isso, Religiosos como Zaratustra, Buda, Lao-Tsé, Confucio e depois Jesus Cristo, São Francisco de Assis, Gandi, etc., com o objetivo de penetrar em outras dimensões de realidade e obter clareza mental num estado de percepção superior, mais amplo e global, que é hoje chamado de gestáltico, holístico, quântico, sensitivo, místico, etc.
É claro que nos processos Meditativos o indivíduo praticamente sai desta para uma outra realidade, uma realidade mais ampla e que esta prática pode se tornar uma fuga da realidade, o que não é absolutamente os objetivos das práticas meditativas. A meditação a que se referem algumas disciplinas, é passiva e contemplativa, mas sou da opinião de que a idéia de afastar-se das influências negativas, do estresse normal e do lado negativo da vida, não nos leva a nada. Acredito na Meditação Passiva como uma etapa de aprendizado que leva a Meditação Dinâmica, onde os dois hemisférios cerebrais ficam exacerbados e o praticante da meditação em condições de raciocinar tanto indutiva como dedutivamente.
Ora, meditar significa pensar em alguma coisa e não adianta apenas pensar passivamente, esperando que as soluções de nossos problemas caiam do céu em forma de milagres. Temos que enfrentar o lado negativo da vida, nossos problemas diários, nossos estresses, trabalhando-os e digerindo-os com o mínimo de esforço e sofrimento possível. A meditação dinâmica nos ensina a encontrar a solução para inúmeros de problemas que foram criados pelo nosso subconsciente e que só ele tem a sua solução.
Muito bem diz Leonardo Boff em seu livro O despertar da águia: a vida pessoal e social é urdida pela dimensão sim-bólica e dia-bólica. A nível pessoal é feita de amizades, de amores, de solidariedades, de uniões e de convergências. E ao mesmo tempo é atravessada por inimizades, ódios, impiedades, desilusões e divergências. É a bipolaridade que rege e sustenta o Universo. O negativo e o positivo, o Yin e o Yang, o bem e o mal, a águia e a galinha de Leonardo Boff, o fogo e a água, o masculino e o feminino, etc. O objetivo maior da Meditação Dinâmica é alcançar este estado de equilíbrio físico e mental através dos seus benefícios neurofisiológicos como regulação dos sistemas endócrinos e um conseqüente estímulo dos processos auto-regeneradores, de auto-cura ou sistema imunológico. Isto e mais uma boa dose de boa vontade, disposição, dinamismo e vontade de realmente fazer algo de bom para si próprio e por si próprio, sem a necessidade de apoio ou aprovação de outrem.
Uma mente fora de controle é a nossa pior inimiga. Controlada, pode ser nossa maior amiga. E os processos meditativos nos ensinam basicamente isso: controlar a mente; aprender a concentrar a atenção numa determinada tarefa e não ser perturbado por fatores externos. Quando me refiro em controlar a mente, não estou me referindo às emoções cuja repressão pode apenas provocar doenças, já que elas pertencem a dois âmbitos: elas podem estar no Domínio físico, e num campo que foge do campo de ação da ciência. A mente é mais do que um cérebro. A mente está no corpo todo, já que as variações emocionais e a situação emocional influem diretamente sobre a probabilidade de o organismo ficar doente ou são.
