Anita Borgia

Criar seu atalho

TEOLOGIA

Antes de começar a falar de religiões, gostaria de postar minha opinião sobre o assunto: - "O perigo da crença está intrinsecamente ligada a fé cega, ao fanatismo, ao pensamento sem uso da razão, da lógica do óbvio e do racional.  Ora, o mal não existe, mas sim a ignorância. Se deus tivesse criado o mal, esse mal nunca haveria de desparecer, pois eliminá-lo seria contrariar a Sua Vontade. Viemos para este mundo para evoluir através das reencarnações até chegarmos a um melhor entendimento do que seja a Divindade.
Quanto ás Religiões, o correto é estudar as verdades contidas em outras religiões e disciplinas religiosas., para depois tirarmos nossas próprias conclusões. A Verdade é descoberta no intimo de cada um ao confiar em suas próprias idéias e estudos, e não no que os outros alegam ser a verdade.    


Todos negam a idolatria

“Eu sou o Senhor; este é o meu nome a minha glória, pois a outrem não darei, nem o meu louvor à imagens de escultura”
Isaias 42 :8
Para os evangélicos o conceito de “idolatria” se aplica literalmente às práticas do catolicismo nas suas relações de fé quando adotam imagens para se interporem nas formas de culto e de relacionarem com Deus. É exatamente assim, os “crentes” pensam exatamente desta forma e relacionam diretamente uma coisa com a outra sem darem conta de que o fato é muito mais abrangente e complexo do que imaginam.
Mas, e você se considera um “idólatra”? Com certeza absoluta sua resposta será não. Eu! Idólatra? Imagina, não confunda as coisas. Mas, você tem a “plena convicção” que não é um idólatra? Provavelmente a sua resposta possa ser sim, mas continuo a insistir, o que você define por “idolatria”? Espero que depois do que vou tratar aqui você possa chegar a conclusão que: “Precisa mudar seus atos diante de Deus”.
“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo…” – I Coríntios 3:10 e 11.
Para a maioria dos evangélicos e isto vem de longe, “idolatria” reside apenas o fato de pessoas “adorarem imagens de escultura” feitas por mãos humanas, motivo esse que sempre foi o principal ponto de divergências com o catolicismo. No entanto, diante dos absurdos que temos visto dentro das igrejas evangélicas e programas televisivos,  podemos sem nenhum constrangimento ou medo de cometer heresia, questionar até que ponto a “IDOLATRIA”, ainda que praticada de forma diferente, têm sido uma realidade assustadora entre esses que se acham “os escolhidos”. Durante séculos os cristãos da seita “evangélica” têm vivido na defensiva imputando aos outros segmentos religiosos a prática da “idolatria”, isto porque estes grupos inseriram em suas práticas e rituais de culto o uso direto e obrigatório de imagens de escultura. Assim, objetivamente os crentes classificam as pessoas que prestam culto através de um objeto qualquer como “idólatra”, o que não é de todo errado, mas também não é o a única forma de se desviar do verdadeiro sentido de “cultuar a Deus”.
VEJAMOS A VERSÃO DOS CRENTES SOBRE A IDOLATRIA:
* Para fugirem da sentença de condenação eterna e divina imposta pela santa e impiedosa “lei de Deus”, a Igreja Católica serve-se de “sutilezas teológicas” a fim de ludibriar os fiéis. Dizem e vivem a repetir os fâmulos católicos que os protestantes não levam em consideração a diferença entre “venerar” e “adorar”, argumentam ainda que o culto de adoração é prestado somente a Deus, mas que prestam um culto de veneração às imagens, às relíquias aos santos e a Virgem Maria. Dizem: “O católico venera os santos, não as imagens, mas o que elas representam, assim como sentimos amor por uma pessoa querida ao ver a sua foto. Veja que neste exemplo não sentimos amor pela foto, mas pela pessoa que nela está representada”.
AGORA, A DETURPAÇÃO FEITA PELOS MESMOS:
De fato, para o catolicismo “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original”, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está esculpida ou pintada. A honra prestada às santas imagens, dizem, é uma “veneração respeitosa”, e não uma “adoração”, que só compete a Deus. Como dizia John Wycliff e Savanarola, este último cuja voz de protesto foi sufocada pelas “fogueiras inquisitoriais”: “Eles adoram, com efeito, no sentido próprio da palavra, as imagens, pelas quais sentem uma afeição especial” – A Imagem Proibida pág. 280
Frei Basílio Rower, em seu “Dicionário Litúrgico” na pág. 15 sobre o verbete: “Adoração da Cruz”, comenta: “A ADORAÇÃO DOS SANTOS E DE SUAS RELÍQUIAS E IMAGENS CHAMA-SE GERALMENTE VENERAÇÃO.” (ênfase do autor)
AGORA VEJAMOS TAMBÉM OS ABSURDOS E OUTRA FORMA DE JUSTIFICAR A IDOLATRIA:
O que seria “idolatria”? Apenas o fato de alguém adorar a imagens? Obviamente que não! Ela não se resume a tão pouca coisa, IDOLATRIA é tudo aquilo que “substitui” a Pessoa de Jesus Cristo na vida de uma pessoa. A referência Bíblica apresentada por Paulo nos ensina que ninguém pode lançar outro fundamento além do que já foi posto, que é Cristo. Quando passamos a lançar outros fundamentos que não seja Jesus, logo estamos tentando substituí-lo e por isso nos tornamos IDÓLATRAS.
Que eu me recorde, o primeiro mandamento do decálogo diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Mas os evangélicos não sabem o que é que adorar, amar ou ter respeito a algo que não tem nome e nem forma. Na complexidade da “Trindade” criada pelo clero e aceita pelos protestantes, tem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ma o que constatamos na prática é o “Pai – Deus”  sendo a figura principal da Trindade sendo adorada pela Igreja Católica, seguida pelo Filho e menosprezada pelo Espirito Santo. Entre os Protestantes, o “Filho – Cristo” é adorado em primeiro plano porque tem um referencial antropomorfo, físico e histórico. Deus é elevado ao segundo plano porque não sabe como venerar algo que não sabem do que se trata nem o que é. Com relação ao Espírito Santo, joguem a primeira pedra que ouvir uma menção a Êle em alguma pregação.    

É melhor muitas pessoas reverem suas próprias atitudes e conceitos, antes de achar que somente é idolatria o fato de usar imagens de escultura. Pois temos visto muitos tipos de idolatria dentro de igrejas evangélicas, idolatria a pessoas, a ídolos gospel que cobram cachês milionários, a objetos supostamente ungidos, peças de roupas, flores, idolatria à própria bíblia, ao dinheiro, idolatria a doutrinas, rituais e regras impostas por homens, e até mesmo ao local de culto. Os pastores que hoje se digladiam nas mídias, são os maiores símbolos de idolatrias que vemos e podemos comprovar.  
  


A IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA

Trata-se de uma das mais importantes ramificações do Cristianismo, pois exerceu grande influência no desenrolar dos fatos em longos períodos históricos, sobretudo no período da Idade Média. A influência política do Papa neste período era, por vezes, decisiva. A Santa Inquisição empreendia perseguições a todos aqueles que fugiam às regras religiosas e que, portanto, segundo a ideologia da época, atentavam contra a religiosidade e o poder católico. O catolicismo exercia influência, neste período, sobre todos os campos de conhecimento humano, já que havia a tendência predominante ao teocentrismo (mentalidade que preconiza Deus com o centro de todas as verdades). Assim, a concepção de mundo para o homem deste período era cingida pela religiosidade.
No seu início, o cristianismo era uma seita do meio rural judaico que congregava uma pequena comunidade reunida em torno dos ensinamentos de Jesus. Seus adeptos estavam ali mais para ajudar uns aos outros do que em busca da salvação eterna. O cristianismo cresceu e se espalhou no mundo empurrado pela força poderosa de sua mensagem. O mandamento de amar ao próximo como a si mesmo foi uma novidade completa para a época. A capacidade de servir ao outros foi a mola propulsora que transformou a seita de dissidentes judeus em religião oficial do Império Romano no curto espaço de 300 anos. Esta é a explicação para o fenômeno do crescimento vertiginoso do cristianismo, que passou de 1.000 devotos no ano 40 para mais de 30 milhões, três séculos depois.
Uma epidemia provavelmente de varíola que matou um terço da população do Império Romano por volta do ano 165, foi a tábua de salvação do cristianismo. Entregues a própria sorte diante da calamidade, sem poder contar com o Estado que não se ocupava dessas coisas, os romanos pagãos ficaram maravilhados com a atitude dos cristãos que se encarregaram de cuidar das vítimas sem espera de recompensa. “A nova fé deu melhores explicações à sociedade, os valores de amor e caridade serviram melhor na atenção aos desvalidos” escreveu Stark Rodney. Foi a revolucionária atitude de solidariedade do cristianismo primitivo que lhe arrebatou seguidores.




A canonização dos textos se confunde com a consolidação da Igreja.  
No ano 311, o imperador romano CONSTANTINO se converteu ao cristianismo e a Igreja organizou o primeiro concílio ecumênico na cidade de bizantina de Nicéia - hoje território Turco - no ano de 325, pagando as despesas de viagens de 318 bispos. Em meio a discussões acaloradas, várias vezes apartadas pelo imperador e seus soldados, foram estabelecidos o primado da Igreja Romana sobre a cristandade. o dia da Páscoa e importantes dogmas doutrinários. A partir daquele concílio, as Escrituras cristãs começaram a ser oficializadas. 
Foi o Bispo de Alexandria, ANASTÁCIO, ainda no século IV, quem escolheu os 27 textos do Novo Testamento: os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João, atos dos apóstolos, o Livro das Revelações e mais 21 cartas, tudo escrito em grego, que era língua culta do Oriente Próximo. - A tradução para o Latim foi feita por São Jerônimo, na Palestina, no século V.
Durante séculos, os monges copistas reproduziram esses textos a mão, ás vezes reelaborando-os segundo as conveniências da doutrina.   Alteraram não só o Novo, mas também o Velho Testamento. - Parte da Gênesis teria sido criadas por teólogos, entre eles Santo Agostinho - 354-430.
"O conceito de Pecado Original", derivado da desobediência de Adão e Eva como princípio da história pecaminosa da raça humana, não existe no Velho testamento judaico, observação de Paulo Augusto de Souza Nogueira, professor do Instituto Metodista de Ensino Superior. O assunto é controverso, é claro. O historiador e ex-padre, Augustin Wert, do Departamento de História da USP, está entre os que não aceitam a "consistência científica dessa hipótese"
Outros textos clássicos também foram adulterados. No importante "antiguidades Judaicas", que fornece informações importantes sobre Jesus e o cristianismo, o historiador Flávio Josefo (37-100), lá pelas tantas, afirma que Jesus "fazia milagres" e que apareceu, três dias depois de sua morte, de novo vivo, afirmação pouco crível para um ex-judeu feito cidadão romano. "Claro que esse trecho distorcido", também concorda Maria Luiza Corassim, professora de História Antiga na Universidade de São Paulo. - Josefo não podia acreditar que Jesus fosse o Messias. Isso é coisa dos monges copistas. Do século II ao século XV as únicas cópias existentes dos livros estavam nos conventos. Eles agregavam o que queriam. Por essas dúvidas é que boa parte do trabalho dos pesquisadores é separar o que verdade de fato, sobre Jesus e sua época, e o que era propaganda.   
Aproximadamente em 1991 foi formada uma equipe de cientistas de vários paises - Emmanuel Tov, da Universidade Tel Aviv; Eugéne Ulrich, da Universidade de Notre Dame(EEUU), e pelo padre-filosofo Emile Puech, da Escola Bíblica Arqueológica Francesa - Objetivando concluir a tradução dos Manuscritos do Mar Morto. A maior parte dos 800 documentos encontrados entre 1947 e 1956, em 11 cavernas perto das ruínas do convento essênio de Qumran, já foram publicados. Faltam papiros da gruta 11 e a maioria da gruta 4, que constituem aproximadamente 15.000 fragmentos, alguns menos que uma unha. Tudo deve ser composto e montado. Por isso a tradução demora. Os manuscritos são as mais antigas cópias do Velho Testamento que existem. O mais antigo data de 152 a.C., o mais recente, do ano 68. São uma preciosidade. 
Hoje é sabido que os essênios pregavam idéias e praticas que os cristãos incorporaram, como batismo d'água, a idealização do Messias e a oposição à aristocracia sacerdotal do Templo. Mas é tudo. Infelizmente não há nada sobre Jesus. Outra afirmativa, mas que provoca controvérsias é a de que Jesus nunca foi essênio. "Jesus é um pouco a imagem do mundo onde nasceu" diz Puech. "Mas um pouco apenas, porque o mundo essênio é um mundo fechado e o de Jesus é aberto. Em Qumran, as leis são exclusivas, não se pode falar com um estrangeiro ou com judeu impuro. Mas Jesus dirige-se a todo mundo". Para o cientista, a descoberta foi fundamental; "Com os Manuscritos reaprendemos a ler o Antigo e o Novo Testamento. Jesus, ele mesmo, e suas opiniões sobre temas como pureza, monogamia e divorcio, ficou mais compreensível. Os textos evangélicos encontram um fundo histórico, um país, um território.  







OS VERDADEIROS MILAGRES DO CRISTIANISMO 

O Cristianismo em geral e a Igreja Católica, em particular, resistiram a impactos tão brutais que acho justificável seus seguidores acreditarem na natureza divina de seus alicerces.O que mais impressiona na trajetória histórica dos seguidores de Cristo é o fato de que a religião podia muito bem ter-se estatelado. Nos primórdios do primeiro milênio, o cristianismo sofreu bastante até deixar a condição de seita judaica dissidente e se tornar a religião oficial do Império Romano. Na aurora do segundo milênio, imersos nas travas da Idade Média, os cristãos mandaram seus guerreiros às cruzadas com a missão de combater em nome de Cristo os infiéis muçulmanos, na época detentores de uma civilização refinada com conhecimentos de astronomia, matemática e filosofia. Entendiam também de coisas mais prosaicas mas muito úteis naquele tempo, como a fabricação de aço mais resistente para as espadas da guerra santa. ‘ Mais tarde o cristianismo escaparia da armadilha cruel da Inquisição e da incômoda condição de fiador de monarquias sanguinárias e corruptas baseadas no direito divino dos reis.O ramo mais vigoroso do cristianismo o católico, pode reivindicar como milagre o fato de ter sobrevivido a um grupo de papas dissolutos, assassinos e gananciosos que reinaram há cerca de 500 anos. Eles faziam guerras, elegiam os filhos bispos, tinham amantes, vendiam promessas de salvação eterna a ricaços que se dispunham a pagar por essa garantia. Para verificar a veracidade dos fatos é só examinar a ficha de um deles para ter boa idéia do conjunto.
ALEXANDRE VI – 1492-1503 – O papa Bórgia foi eleito para o trono de Roma por um conclave corrupto, teve quatro filhos ilegítimos, promoveu orgias no Vaticano. Foi acusado pelos contemporâneos de assassinatos e complôs.






MORTE AOS INFIÉIS (10945)

A campanha cristã para retomar Jerusalém das mãos muçulmanas durou 200 anos e provocou a maior expansão militar e comercial da Europa desde a queda de Roma. Inspirou uma pletora de obras de arte e literatura, com destaque para os Contos de Canterbury, de Chaucer. Foi um episódio sangrento, presságio do conflito étnico que viria a eclodir no futuro. Relíquias supostamente da época de Jesus desenterradas em Jerusalém, a Lança Sagrada, restos de João Batista, provavam aos cristãos do Ocidente que a cidade lhes pertencia. Em 1095, simultaneamente ao lançamento da Primeira Cruzada pelo papa Urbano II, fanáticos abriram com saques o caminho até a Palestina, trucidando infiéis – inclusive milhares de judeus europeus. Em 1099, os cristãos tomaram Jerusalém. As batalhas continuaram em todo o Oriente Médio e, em 1244, os muçulmanos retomaram a cidade. Ainda assim, a Europa ganhou muito com as cruzadas. Elas ajudaram a reviver a mineração e a manufatura. Abriram-se novas rotas de comércio e canais para as importações do Oriente que enriqueceram o Ocidente: seda, especiarias, pólvora, álgebra. Uma novidade menos popular foi o imposto de renda, instituído para ajudar a pagar as guerras santas.




Um comentário de Leonardo Boff

Disse Leonardo Boff numa entrevista televisiva que o poder religioso é formado de pompas e circunstâncias.
Nada mais forte do que os grandes corredores e as fantásticas catedrais do Vaticano. Os quadros renascentistas fantásticos, longos e espessos tapetes, etc. É o poder dos Césares e que a igreja vive nele. É o grande poder dos Césares e que a Igreja vive nele. O grande palácio denominado Palácio do Santo Ofício. Em baixo destes longos corredores, estão as masmorras, onde eram torturados os infiéis.
Mas este poder foca dentro das pessoas porque o poder religioso se transforma num símbolo, num arquétipo. E o arquétipo vai para o inconsciente coletivo. Este símbolo religioso manipula, toca categorias últimas que são Deus, Céu, Inferno. Ele te condena, te salva.
O filme de Umberto Eco “O Nome da Rosa”, mostra a intolerância da Igreja com a difusão do saber, que se chocava com os dogmas da Igreja. Ainda hoje o Vaticano impõe restrições aos que se impõem no seu caminho. Mudou apenas a forma de castigo. A condenação agora não é a antiga fogueira, e sim o silêncio absoluto. 
A própria Igreja é vítima de suas tradições, de seus dogmas. Ela é coisa perdida como instituição. A sorte é que ela não é só instituição. Ela é a fé de milhares e milhares de pessoas que vivem ao som dos evangelhos como a Igreja, suportando a Igreja, pára além da Igreja, apesar da Igreja, apesar do Papa.
A Igreja vive daquilo que Jesus não queria: 
a)Jesus não queria hierarquia, queria serviço e não o Sagrado Poder;
b)Jesus não que pompa e magnificência; queria simplicidade, o caminho do coração humano. -
Porém a Igreja se tornou num grande poder. É a primeira multinacional do Ocidente. Já no século quatro, era a maior multinacional. Oxalá esse poder da Igreja fosse mediação para grandes causas da humanidade, da vida, da justiça. Mas ela entrou num matrimonio incestuoso com os poderosos do mundo que emasculou a força do evangelho.
O ser humano tem duas fomes: a fome de pão porque tem de sobreviver. E também a fome da comunicação, da beleza, de liberdade, de expandir os seus conhecimentos rumo ao desconhecido. A força do cristianismo está presente no Pai Nosso e une as duas fontes citadas: O pão nosso que é a fonte de transcendência, a fome voar para cima. O pão nosso de matar a fome, de sobreviver.
A fé tem algo de razão porque ela procura a realidade. Para se amar uma pessoa, precisa-se conhecer esta pessoa, sua intimidade, sua história. É o amor que leva ao conhecimento. A fé procura entender. Procura a razão. O fanatismo dispensa tudo isso porque é alienação e manipulação total.
A MORTE – A morte é uma invenção da vida, para que a vida possa continuar mais alta, mais jovial. Nós não vivemos para morrer, mas sim para ressuscitar, para viver mais.



 CAÇA ÁS BRUXAS


Acredito que o perigo que existe nas crenças religiosas é o fato de transpormos o sentimento de crença para a fé e da fé para o fanatismo de modo sutil e sem que o percebamos e de modo descontrolado.
Tal descontrole ocorre principalmente dentro do clero, onde o seminarista passa por um processo de lavagem cerebral praticamente irreversível, levando-o a imaginar ser dono dos conhecimentos Divinos e capaz de abordar convictamente temas concernentes a teologia, psicologia familiar, etc., chegando ao ponto de usar sua influência para interferir em proveito próprio, nos usos e costumes de uma região. Seja esta uma aldeia, povoado, cidade , estado ou nação. Que lhes são dados direitos e deveres, extrapolam seus limites e chegam aos absurdos e abusos dos mais variados.

Vejamos o que nos apresenta alguns documentos pertencentes a Cúria Metropolitana de São Paulo.

“Páscoa era uma escrava paulistana que usava pedacinhos de unha, fios de cabelo e excrementos humanos para enfeitiçar e matar. Depois de fazer um pacto com o demônio, ela tornou-se uma espécie de serial killer do século XVIII, matando cinco pessoas.” - Essa história fantástica consta dos autos da investigação sobre seus crimes, da qual a Justiça Eclesiástica de São Paulo se ocupou durante dez meses. Finalmente, em 30 de julho de 1750, o juiz assinou a sentença: o caso deveria ser encaminhado à Inquisição, em Portugal. O destino de Páscoa nas mãos do Santo Ofício, que costumava condenar bruxas à morte na fogueira, ainda é um mistério.
Processos recém redescobertos nos arquivos da arquidiocese mostram que entre 1749 a 1771 nove mulheres (Páscoa entre elas) e quatro homens foram acusados de feitiçaria em São Paulo. Salvos de um incêndio e esquecidos por décadas dentro de um baú de metal, esses documentos inéditos revelam episódios sombrios e pouco estudados da História nacional: A CAÇA ÀS BRUXAS CONDUZIDA PELA IGREJA CATÓLICA HÁ MAIS DE 200 ANOS” - São treze processos por feitiçaria, manuscritos em delicada fibra de pano e carcomidos pelo tempo, mostrando como as autoridades eclesiásticas brasileira seguiam à risca a cartilha da Inquisição portuguesa. Um território de nossa história do Brasil Colonial que sempre continuará nas sombras.
Do século XVI ao XIII, o Tribunal do Santo Ofício (nome bonito e imponente como tudo na SE) puniu com severidade qualquer suspeita de desvio em relação à doutrina católica, incluindo aí a magia. Nunca chegou a se estabelecer na colônia brasileira e seus enviados especiais - os Visitadores - só estiveram nas capitais brasileiras prósperas como Bahia, Pernambuco e Grão-Pará. Em São Paulo, na época um pobre aglomerado de sessenta ruas contornadas pelo rio Tamanduateí e seu afluente, o Anhangabaú, a caça às bruxas ficou por conta do clero local. Dá para se imaginar o que deve ter ocorrido, não?
Num processo aberto em 1767, Isabel Pedrosa de Alvarenga, moradora de Santo Amaro, foi acusada por um dos espiões da Igreja (chamados de “familiares do Santo Ofício”) de dispor de um saco de coisas abomináveis para exercer atividades diabólicas. Umbigos de crianças, bicos de pássaros, cabelos e panos ensopados em sangue eram o tesouro desta mulher que vivia de esmolas e jamais admitiu ser uma bruxa.
As acusadas eram normalmente pobres coitadas como Isabel, mas preocupadas com o sustento do dia-a-dia do que em prejudicar alguém. Eram parteiras, lavadeiras de mortos, benzedeiras, curandeiros . Profissões típicas femininas da época. “O próprio saber feminino era visto como bruxaria “ o que reforça a idéia do desprezo do clero pelas mulheres, todos sabem que padres correm de mulheres e de sexo como o diabo corre da cruz.
A primeira leitura dos documentos - de difícil compreensão devido ao português arcaico e à deterioração do papel - só foi feita devido a intervenção de uma conceituada revista brasileira.
As regras do Arcebispado da Bahia, editadas em 1707 numa tentativa pioneira de adequar as diretrizes católicas à colônia tropical, puniam os praticantes de magia com multas, excomunhão e degredo na África. A definição de magia era vaga e podia incluir qualquer acontecimento incomum.
Em 1749, por exemplo, a Cúria paulista enviou a Portugal os autos de acusação contra Patrício Bicudo da Silva, colono de Santana de Paraíba. O que tinha sido apurado contra ele era a estranheza de “trazer consigo cobras vivas nas mãos sem receber lesão alguma”. Oras!! Eu conheci um pobre vigário residente no Crato, no estado do Ceará, que sempre conduzia nos bolsos de sua batina “cobra assada com farinha” que lhe serviam como tira-gosto para as constantes doses de pinga que tomava.
Num processo arquivado na Cúria, de 1771, Leonor de Siqueira e Moraes e sua filha, Ana Francisca, foram acusadas de usar “líquido menstrual” para transformar Manoel José Barreto, marido de Ana, num “PATETA”.
O exílio no Brasil foi pena comum imposta às supostas feiticeiras portuguesas. Isso encheu a colônia de benzedeiras e milagreiras. Apesar da quantidade de atos de fé em Lisboa, as cerimônias em que se queimavam hereges, a caça às bruxas foi mais branda em Portugal do que em outros países europeus, como a Alemanha. Todo o continente vivia assombrado por bruxarias. No auge da caça às bruxas, entre 1450 a 1700, estima-se que: PASMEM - 20.000 pessoas foram queimadas vivas. A conclusão dos processos encontrados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo pode estar nas montanhas de papel armazenadas na Torre do Tombo, que guarda documentos coloniais em Lisboa. Ou em lugar nenhum porque isto não é da conta de ninguém! Se Páscoa ou outras bruxas paulistas arderam nas fogueiras é, por enquanto, uma pergunta sem resposta.
NADA DO QUE OCORREU NO PASSADO PODE MACULAR A IMAGEM DA IGREJA CATÓLICA E TODOS DEVEMOS PERDOAR AS ATROCIDADE COMETIDAS EM NOME DO CRIADOR. AFINAL, NADA ACONTECEU CONOSCO NEM A NOSSOS ATUAIS FAMILIARES.
O arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo é um tesouro histórico conhecido por poucos. Protegido do pó em estantes de cedro, 9.000 processos cíveis e criminais permitem rara olhada na intimidade da vida quotidiana em São Paulo, sul de Minas e Paraná entre 1632 e 1856. Em meio a dez milhões de registros de batizados, aparece o de Maria Isabel de Alcântara Brasileira, em 24 de maio de 1831. Supõe o historiador Jair Monguelli, chefe do arquivo, que se trata da filha ilegítima de dom Pedro I e Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos. “O nome está grifado” , nota. Há também processos de adultérios, concubinatos, sacrilégios, sodomia, sexo com animais e até mesmo de promessas de casamento não cumpridas.
Preso em 1765, um certo Manoel Rodrigues Jordão justificou a dispensa de Joana Machado de Siqueira alegando que a moça não tinha dentes, dinheiro ou formosura.
Um fiel da paróquia de Guarulhos, hoje município da Grande São Paulo, foi acusado de ter : OUVIDO MISSA VESTIDO DE MULHER em 1744. No decorrer do processo, descobriu-se que “o menor” Joaquim José não tivera a intenção de se passar por travesti. Tão pobre que não tinha o que vestir, ele improvisou roupas de suas irmãs. Acabou absorvido. Afinal, padres até gostam de usar um bom modelito.




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